A escravidão mental e o trabalho

A última pesquisa sobre a Carreira dos Sonhos, realizada pela Cia de Talentos em 2016 revela dados curiosos sobre como estamos vendo o mundo do trabalho. Ela aponta que 37% dos jovens entrevistados desejam ter um negócio próprio, porém 52% das pessoas ainda consideram o Contrato CLT um modelo de trabalho atrativo. Mesmo diante de todos os avanços tecnológicos, quebra de barreiras geográficas, acesso abundante à informação e conhecimento, possibilidade de trabalharmos de qualquer lugar do mundo, muitos ainda se vêem presos às relações tradicionais de trabalho.

Por que ainda repetimos os padrões de pensamento em relação ao mundo do trabalho? Será que ainda sonhamos como um emprego estável, repleto de benefícios e que não nos tire da nossa zona de conforto?

Quem tem a idade entre 35 a 40 anos, como eu, foi educado por uma geração de pais que valorizava muito o trabalho, uma geração se desdobrou para garantir mais acesso aos elementos essenciais da nossa existência, melhor alimentação, mais conforto doméstico e melhor educação.

Apesar de ainda termos diversas projeções impulsionadas pelas carreiras tradicionais de médico, advogado e engenheiro, sem dúvidas, temos um menu de escolhas muito mais amplo do que as dos nossos pais.

Desde 99, trabalho nas áreas de Educação Profissional, Educação Corporativa e Desenvolvimento Humano e nunca vi tantas pessoas insatisfeitas com as suas escolhas profissionais e com o mundo corporativo como agora. Para se ter uma ideia, pesquisa do Instituto Gallup com 2.300 americanos apontou que 71% dos trabalhadores do país não estavam engajados com os seus trabalhos.

Não são raros os exemplos onde vemos profissionais sofrendo com transtornos de ansiedade, depressão, estressadas e com compulsão desencadeada pela pressão do ambiente de trabalho e as expectativas da vida perfeita.

É neste momento que percebo o que chamo de Escravidão Mental no mundo do trabalho. Muitas vezes as pessoas aceitam propostas, projetos e atividades que não tem nada a ver com o que acreditam. Eu mesma já passei por isso muitas vezes, até compreender melhor esse conceito. Padrões mentais herdados de nossos pais, de antigos sistemas de mercado e até de traumas vividos por outras pessoas, muitas vezes atuam, de forma silenciosa, moldando nossas decisões e fazendo com que as pessoas passem anos e anos infelizes no trabalho.

Particularmente não acredito no trabalho dos sonhos, acredito em um trabalho significativo, que mescle ingredientes essenciais como o sentido, o fluxo e a liberdade. Estes elementos são trazidos pelo escritor e membro fundador da The School of Life, Roman Krznaric. Se não percebermos o real significado do trabalho em nossas vidas e não nos colocarmos como investigadores diários de atividades e projetos em que nos sentimos motivados em colocar os nossos talentos e pontos fortes em prática, dificilmente nos sentiremos bem na nossa empreitada profissional.

Somente quando geramos clareza mental de quem somos e o que queremos, temos condições de fazermos escolhas mais conscientes e alinhadas com o que acreditamos. É um árduo trabalho interno, mas com certeza vale cada minuto investido.

Com amor, Alinne